INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – PARTE 3

Para nós, filhos do sistema ocidental tradicional, a admissão e a consciência da reviravolta é mais dificultosa, pois já estamos com ele mais emocionalmente envolvidos ou nele perdidos. Trata-se, no nosso caso, de uma reeducação de nós mesmos e, por conseguinte, de uma nova visão de nossos próprios potenciais, removendo os obstáculos (Kleshas) que nos atrelam a um desequilíbrio racional ou emocional.

A partir do autoconhecimento, abre-se caminho para uma administração mais completa, integral, e as empresas não precisarão desenvolver-se de forma tão desordenada, desequilibrada. Por outro lado, nas situações onde exercemos um papel de liderança em uma empresa este conhecimento nos torna, no mínimo, mais sensíveis à variedade de personalidades das pessoas, o que nos torna mais aptos a exercer nossos papeis. Pois não há como negar que como administradores temos fatalmente de exercer um poder educativo sobre aqueles que lideramos.

Ora! Qualquer falta de tato educativo neste caso implicará diretamente em falha administrativa e, no mesmo passo, uma visão unilateral implicará numa liderança unilateral e pouco eficiente. Se observarmos o que hoje ocorre no mundo, tomaremos consciência imediata do que acabamos de afirmar. A chamada visão holística toma espaço cada vez maior na mentalidade contemporânea, de acordo, evidentemente, com uma visão mais humanista. A aversão ao que se chama de “trabalho”, pouco admitida verbalmente, mas, de fatouma certeza furiosa na mente e nas atitudes dos homens, provém de um mau juízo acerca deste conceito.

Deveria ser o que mais realiza, pois não há “o homem” sem as realizações que provém de suas aptidões, as quais o fazem ser homeme isto se dá justamente na diversidade dos ofícios. O que ocorre hoje, pelo contrário, é que o homem tem como seu maior inimigo justamente aquilo que deveria ser o seu ponto de ascensão: trabalho, educação x escravidãoopressão. Mas a visãoholística propõe justamente o olhar global, que considera sempre o conjunto das coisas. Em lugar do especialista “especialistíssimo”, temos o homem formado bem informado, quero dizer, formado, não castradocomo algumas espécies de gatos, por exemplo, belíssimos e de pêlos macios, mas sem valor para a perpetuação de sua espécie. Em complemento, a visão humanista reforça, em face da mesma holística, a visualização das diversas aptidões humanas.

O que ocorre com um homem ou com uma empresa que se negligencia?

As respostas são basicamente duas: tornam-se “frios e calculistas” ou propensos à tirania das emoções e tanto num caso como no outro, os resultados refletirão negativamente nos lucros, no mercado de trabalho, na empresa, nos cargos, na visão do que é trabalho, na vida pessoal, no dharma2. Homens frios e calculistas certamente terão pouca vitalidade e serão quase certamente ineptos para questões humanas de maior alcance; quanto aos que se submeterem às tiranias das emoções, serão temas de tratados sobre o desequilíbrio e saberão poucas vezes dar por si em sua jornada de vida a não ser que haja um profundo esforço que os conduza ao equilíbrio, o mesmo valendo para os frios e calculistas.

O que ocorre com uma empresa que possua em seu seio indivíduos desta natureza?

Deverá manifestar em seu todo as características de suas partes, e isto refletir-se-á em todos os seus setores. Relacionando esta situação aos termos técnicos acerca do cérebro, o sistema límbico estará em conflito com o neocórtex, traduzindo, produzirá o velho conflito razão x paixão. Ao invés destes sistemas atuarem como partes de um todo, atuarão como faculdades independentes. Conforme ocorre num sistema cerebral bem educado, onde a razão não apenas se funde com a emoção, mas a põe em seu lugar, dar-se-á exatamente o contrário num sistema pouco treinado.

O resultado será uma empresa desequilibrada em seu todo, com baixa autoestima e pouca consciência de si, com um sistema de motivação falho, com baixo valor moral, consequentemente apresentará resultados negativos que será refletido nos seus funcionários e no mercado em forma de desequilíbrio, estresse mal administrado, problemas psicossomáticos ou crônicos, etc.

Uma liderança assim exercida tenderá à unilateralidade. O que afirmamos aqui não são meras especulações.

Basta, para nos certificarmos disso, que lancemos um olhar para os acontecimentos que vêm ocorrendo no mundo.

Continua no próximo artigo..

 

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