INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – PARTE 2

Entre os antigos gregos, o processo educativo já se manifestava ao se procurar um nome para o indivíduo recém-chegado ao mundo. Aguardava-se os primeiros passos de seu desenvolvimento e a manifestação embrionária de um determinado caráter ou dom para, somente então, nomeá-lo. A partir daí toda sua educação voltava-se para um reforço deste caráter, proporcionando-se com isto o seu desenvolvimento natural e espontâneo.

O resultado foi uma sociedade de homens inteiros, de caráter e personalidade fortes, cientes de seu perfil, orgulhosos de suas leis e de seus líderes e administradores, de sua arte e de seus guerreiros, de uma nobreza quase incompreensível para nós que somos herdeiros bastardos de uma cultura, no passado, vigorosa. Nunca na história ocidental os potenciais humanos foram tão exaltados, a ponto de serem quase divinizados. O homem poderia ser qualquer coisa e nela era grande, possuía grandeza de sentimentos. Não é talvez por acaso que Aristóteles tenha posto, e ele o fez, no coração o centro vital da inteligência humana, o que certamente é um erro do ponto de vista científico, mas um grande acerto em termos intuitivos.

Para nós, filhos do sistema ocidental tradicional, a admissão e a consciência da reviravolta são mais dificultosas, pois já estamos com ele mais emocionalmente envolvidos ou nele perdidos. Trata-se, no nosso caso, de uma reeducação de nós mesmos e, por conseguinte, de uma nova visão de nossos próprios potenciais, removendo os obstáculos (Kleshas) que nos atrelam a um desequilíbrio racional ou emocional. A partir do autoconhecimento, abre-se caminho para uma administração mais completa, integral, e as empresas não precisarão desenvolver-se de forma tão desordenada, desequilibrada. Por outro lado, nas situações onde exercemos um papel de liderança em uma empresa este conhecimento nos torna, no mínimo, mais sensíveis à variedade de personalidades das pessoas, o que nos torna mais aptos a exercer nossos papeis.

Não há como negar que como administradores temos fatalmente de exercer um poder educativo sobre aqueles que lideramos. Ora, qualquer falta de tato educativo neste caso implicará diretamente em falha administrativa e, no mesmo passo, uma visão unilateral implicará numa liderança unilateral e pouco eficiente. Se observarmos o que hoje ocorre no mundo, tomaremos consciência imediata do que acabamos de afirmar.

A chamada visão holística toma espaço cada vez maior na mentalidade contemporânea, de acordo, evidentemente, com uma visão mais humanista. A aversão ao que se chama de “trabalho”, pouco admitida verbalmente, mas, de fato, uma certeza furiosa na mente e nas atitudes dos homens, provém de um mau juízo acerca deste conceito. Deveria ser o que mais realiza, pois não há “o homem” sem as realizações que provém de suas aptidões, as quais o fazem ser homem, e isto se dá justamente na diversidade dos ofícios.

O que ocorre hoje, pelo contrário, é que o homem tem como seu maior inimigo justamente aquilo que deveria ser o seu ponto de ascensão: trabalho, educação versus escravidão, opressão. Mas a visão holística propõe justamente o olhar global, que considera sempre o conjunto das coisas.

Em lugar do especialista “especialistíssimo”, temos o homem formado bem informado, quero dizer, formado, não castrado, como algumas espécies de gatos, por exemplo, belíssimos e de pelos macios, mas sem valor para a perpetuação de sua espécie. Em complemento, a visão humanista reforça, em face da mesma holística, a visualização das diversas aptidões humanas.

O que ocorre com um homem ou com uma empresa que se negligencia?

Continua no próximo artigo..

 

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