INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – PARTE 1

Conhece-te a ti mesmo é uma proposta que, há milênios, vem sendo apresentada ao homem. Os sábios orientais, os gregos, os grandes filósofos, todos comprovaram de diversas formas a importância do autoconhecimento. Mas o que isso tem a ver com as empresas?

O sentimento colocado no trabalho gera forças que impregnam equipes e este suplemento energético estimula a crença no trabalho realizado e esta crença é irradiada para o mercado. Será que ainda existem dúvidas sobre isso? As emoções equilibradas à luz da razão têm um poder decisivo sobre nossas vidas, isso será o diferencial que contribuirá para que nossas trajetórias sejam bem-sucedidas ou fracassadas, esta foi a conclusão de Goleman acerca do grande dilema razão x emoção.

Se olharmos de perto, perceberemos que nós mesmos, em vista de uma série de condicionamentos culturais cujos princípios herdamos sem uma reflexão mais cuidadosa, adquirimos a tendência de considerar inteligentes aqueles que possuem certas habilidades técnicas e operacionais, cuja ênfase em casos de indivíduos isolados é dada em função do grau em que esta mesma inteligência é exercida pelo agente que a possui, até o limite em que empregamos a designação de “gênio empresarial”.

E, no mesmo passo, o fazemos principalmente com referência a operações que envolvem cálculo. E é também neste sentido (no de cálculo) que empregamos o termo “razão” ou “racionalidade“. É com base nestas noções que eram feitos os testes de aptidão intelectiva (Q.I.). Quem neste sentido não possuía “inteligência” sofria uma espécie de exclusão por parte do sistema e, no máximo (e a menos que fosse forte o suficiente para provar o contrário), era “convencido” de que deveria seguir um caminho medíocre, ou seja, mediano, normal, não-extraordinário. Do outro lado, no extremo oposto, colocamos “a sensibilidade”, “o emocional”, “o sentimental”, “o espiritual”. Criou-se, então, ao longo dos anos (ou mesmo séculos) a crença na famosa oposição Razão x Paixão. A primeira, prioridade principalmente dos “gênios” (do cálculo?!!!); a segunda, dos “sentimentais” ou “emotivos”, ou talvez “românticos”, mas, em todo caso, não-racionais, como se seu caráter apresentasse traços opostos à racionalidade. A conseqüência direta deste pensamento é uma visão fatalista sobre os potenciais do indivíduo, como se pudesse haver um controle definitivo sobre suas possibilidades de realizações. Para nós, não psicólogos mas seres viventes, como justificar o fato de que algumas das pessoas bem-sucedidas em testes de QI sejam mal-sucedidas em suas vidas profissionais ou emocionais? E que de outra parte, alguns “medíocres” empreendam carreiras brilhantes em diversas áreas? Estes fatos deveriam ser relegados à sorte como inevitáveis exceções ao que, em geral, se observa? Diversas fontes de pesquisa afirmam que as exceções atingem números nada desprezíveis. Se para nós a tese tradicional não soa bem em momentos decisivos de nossas vidas, quando nossas escolhas são feitas tentando evitar conseqüências desastrosas ao longo da vida, saber que há exceções não basta, pois a ciência está sempre pronta para bloquear possibilidades de mudar este quadro. E, assim, este grande número de exceções desencadeou todo um processo de investigações acerca de nossa estrutura cerebral. Passou-se a ensaiar a admissão de nossa inteligência, não como uma fria capacidade operacional e calculativa, mas como um todo que, para seu sucesso ou fracasso, necessita, na medida do possível, de um perfeito equilíbrio entre as suas partes. Atualmente a tendência é conhecer os concorrentes e, ao conhecê-los, elabora-se estratégias de altos poderes decisivos, baseadas em soluções dos grandes e vitoriosos, desta forma, garante-se a sobrevivência da empresa. Será que isso é suficiente? De acordo com este pensamento, podemos acreditar que se fosse possível, as empresas contratariam apenas os cérebros de seus funcionários, mas qual seria o resultado disso? Continua no próximo artigo..

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